5 de dezembro de 2008

Cocktail Party

Não tenho vergonha de dizer que estou triste, Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas: Estou triste por que vocês são burros e feios e não morrem nunca... Minha alma assenta-se no cordão da calçada e chora,Olhando as poças barrentas que a chuva deixou. Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores. Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão. E trocamos brindes, Acreditamos em tudo o que vem nos jornais. Somos democratas e escravocratas. *Mestre (Mario Quintana)

Rola

RolaDês que amor me deu que eu lesseNos teus olhos minha sina,Ando, como a peregrinaRola, que o esposo perdeu!Seja noite ou seja dia,Eu te procuro constante:Vem, oh! vem, ó meu amante,Tua sou e tu és meu!Vem, oh! vem, que por ti clamo;Vem contentar meus desejos,Vem fartar-me com teus beijos,Vem saciar-me de amor!Amo-te, quero-te, adoro-te,Abraso-me quando em ti penso,E em fogo voraz, intenso,Anseio louca de amor!Vem, que te chamo e te aguardo,Vem apertar-me em teus braços,Estreitar-me em doces laços,Vem pousar no peito meu!Que, se amor me deu que eu lesseNos teus olhos minha sina,Ando, como a peregrinaRola, que o esposo perdeu.
(Goncalves Dias)