16 de abril de 2008

Primeiro encontro

Sinto a poesia entre meus poros,

Sinto a paz entre estes túmulos,

Sinto a brisa sussurrar em meus ouvidos.

Estranho, agradável, excitante, porém distante.

Vejo a garoa molhar minha folha,

Delicadamente Finos pingos a brilhar neste

Mármore negro com

Um belo anjo a me observar.

Sim...

Eu não nego que é meu primeiro encontro com

Um cemitério,

Eu não nego que me senti bem,

Eu não tenho medo dos corpos que aqui descansam.

Essa não é uma escrita gótica,

Essa não é uma escrita obscura,

É uma sensação de bem estar aos que acolheram tão bem neste

Silencioso soprar das folhas ao chão.

É um grande patamar de ilusões,

São um grande mistério estas caixas trancadas,

Cobertas de bronze, prata e ouro e seladas por lagrimas.

Cheiro de lodo funde-se ao cheiro de rosas vermelhas,

Cheiro de morte exilado por falta de meus sentimentos a eles.

E mais uma vez a morte mexe comigo,

E mais uma vez me apaixono por algo desconhecido.

Creio não voltar neste lugar,

Pois o que me faz bem não me permite desenhar estas linhas.

Mas sei que voltarei pra gravar estes momentos em meu álbum.

Creia...

É tudo muito poético aqui,

É lugar triste aonde me encaixo perfeitamente

Entre estes olhares tristes destes monumentos.

Bati três vezes no tumulo de Cazuza,

Pedi que ele me mostrasse uma poesia,

Senti apenas a essência do que é ser poeta.

É apenas uma tristeza feliz,

Uma sensação distante,

É apenas um momento feliz.

Max Daniel

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